Na madrugada de quinta-feira, 01 de janeiro, Zohran Mamdani, 34 anos, tomou posse como prefeito de Nova Iorque, nos Estados Unidos. O mandato tem duração de quatro anos.
O juramento foi feito pouco depois da meia-noite, em uma cerimônia reservada conduzida pela procuradora-geral do estado de Nova Iorque, Letitia James, na antiga estação City Hall, uma das paradas originais do metrô da cidade. Para o juramento, Mamdani usou um exemplar do Alcorão.
Mamdani é democrata e crítico do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na posse pública na Prefeitura, o senador Bernie Sanders foi anunciado como responsável por conduzir a cerimônia. Mamdani utilizou exemplares do Alcorão que pertenceram aos avós.
A curadora de Estudos do Oriente Médio e Islâmicos da Biblioteca Pública de Nova York, Hiba Abid, afirmou ao The New York Times que ajudou Mamdani a escolher o Alcorão da coleção de Schomburg para a cerimônia. Schomburg, conforme a mesma referência, não era muçulmano e mantinha uma ampla coleção de livros históricos. “É uma escolha altamente simbólica, porque estamos prestes a ter um prefeito muçulmano tomando posse usando o Alcorão, mas também um prefeito que nasceu no continente africano, em Uganda.” “Isso realmente reúne elementos de fé, identidade e história de Nova York”.
O uso do Alcorão na posse gerou críticas de algumas figuras públicas, incluindo o ex-deputado David Brat, republicano da Virgínia. Em um episódio de quarta-feira do programa The War Room, apresentado por Steve Bannon, Brat declarou que o Islã seria antitético a crenças que, na avaliação dele, ajudaram a construir os Estados Unidos. “Eles não gostam do cristianismo porque isso os impede de alcançar suas ambições globalistas e de ter um governo grande.” “É isso que está acontecendo aqui. Os protestantes acreditam, em grande parte, no capitalismo, em oposição ao socialismo de Mamdani. Há outro contraste”.
O The Christian Post também citou outros casos de juramento sobre o Alcorão, incluindo a deputada Ilhan Omar, democrata de Minnesota, e o procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, que teria usado o livro sagrado islâmico ao tomar posse no Congresso em 2007.
Durante a campanha para prefeito, Trump criticou Mamdani e o chamou de “lunático comunista”, além de mencionar a possibilidade de cortar financiamento federal para Nova Iorque e enviar a Guarda Nacional. Após a eleição, Trump adotou um tom mais conciliatório depois de um encontro com Mamdani no Salão Oval.
“Concordamos em muito mais coisas do que eu imaginava”, afirmou Trump ao comentar a reunião privada ocorrida em novembro, na qual, segundo ele, foram discutidos temas com impacto no cotidiano da cidade. “Falamos sobre aluguel, falamos sobre compras de supermercado, falamos sobre contas de luz e água, falamos sobre as diferentes maneiras pelas quais as pessoas estão sendo expulsas”.
Mamdani agradeceu a Trump pelo encontro e registrou que, apesar de divergências, eles apontaram pontos de concordância sobre medidas voltadas aos moradores de Nova Iorque, descrita por ele como “um lugar de admiração e amor mútuos”.
Fonte: Gospel mais
